Gestão

Modelo ADKAR: as 5 etapas da gestão de mudanças organizacionais

Vamos conhecer o Scopi?
Colina Tech 12 de outubro de 2026 13 minutos de leitura

Resumo:

ADKAR: O modelo ADKAR descreve os cinco resultados que cada pessoa precisa alcançar para uma mudança dar certo: consciência, desejo, conhecimento, habilidade e reforço. Criado por Jeff Hiatt, fundador da Prosci, a partir do estudo de mais de 700 organizações, ele trabalha no nível individual. O ponto de barreira é a primeira etapa em que a pessoa trava, e as ações se concentram nele. A aplicação segue 5 passos.

Toda empresa passa por mudanças: um novo sistema, uma nova estrutura, uma nova forma de acompanhar metas. O plano costuma estar bem desenhado. No entanto, o problema aparece na prática, porque as pessoas não adotam o que não entendem, não querem ou não sabem fazer.

O modelo ADKAR ajuda a enxergar esse problema com clareza. Ele divide a mudança individual em cinco etapas e mostra em qual delas cada pessoa ou equipe trava. Dessa forma, a liderança deixa de agir no escuro e passa a atuar no ponto exato da dificuldade.

Na prática, o ADKAR percorre cinco etapas: consciência, desejo, conhecimento, habilidade e reforço. A empresa descobre em qual delas cada grupo trava, age sobre esse ponto e mede a adoção. 

O que é o modelo ADKAR?

ADKAR é uma sigla para cinco resultados que uma pessoa precisa alcançar para que uma mudança seja bem-sucedida: Awareness (consciência), Desire (desejo), Knowledge (conhecimento), Ability (habilidade) e Reinforcement (reforço). O próprio criador, Jeff Hiatt, descreve esses cinco elementos como os blocos básicos da mudança individual.

Cada resultado funciona como um degrau. De fato, a pessoa só sobe para o próximo quando completa o anterior. Por isso, o modelo serve como mapa de diagnóstico e não apenas como lista de boas práticas.

De onde vem o ADKAR?

Jeff Hiatt, fundador da Prosci, desenvolveu o modelo a partir da análise de dados de pesquisa sobre mudanças em organizações. Ele partiu de uma pergunta simples: o que cada pessoa precisa alcançar para que a mudança aconteça de fato?

A resposta virou os cinco blocos do modelo. Hiatt registrou a ideia, em 2006, no livro ADKAR: um modelo para mudança nos negócios, no governo e na comunidade.

ADKAR é um modelo individual ou organizacional?

O ADKAR é um modelo de mudança individual. Ele parte, portanto, de uma ideia que o próprio Hiatt resume no texto The Essence of ADKAR: as organizações não mudam, as pessoas dentro delas mudam.

Na prática, isso significa que um projeto só entrega resultado quando muitas mudanças individuais acontecem. Uma nova estrutura, por exemplo, só existe quando cada pessoa assume o novo papel e os novos comportamentos.

Quais são as cinco etapas do modelo ADKAR?

As cinco etapas formam uma sequência lógica. Cada uma responde a uma pergunta que a pessoa faz, mesmo sem dizer em voz alta.

1. Consciência (Awareness)

A pergunta é: por que a empresa precisa mudar? A consciência é a compreensão do motivo da mudança e dos riscos de não mudar. Sem ela, portanto, a pessoa vê a novidade como imposição.

Para construir consciência, a liderança explica o problema com dados e linguagem simples, por mais de um canal. Uma reunião única, aliás, costuma não bastar.

2. Desejo (Desire)

A pergunta agora é: eu quero participar? O desejo é a vontade de apoiar a mudança, e ele depende de fatores pessoais, como benefícios, receios e confiança na liderança.

A empresa não consegue impor o desejo. Mesmo assim, ela pode influenciá-lo, por exemplo, com patrocínio visível da diretoria, conversas individuais e respostas honestas às dúvidas.

A Eletropoll, cliente da Scopi, mostra o efeito do benefício percebido. Em depoimento, a empresa conta que usa a plataforma bem além do que planejou e que a equipe aderiu muito rapidamente pelos ganhos que viu.

3. Conhecimento (Knowledge)

Aqui a pergunta é: como eu faço a mudança? O conhecimento reúne informações, treinamento e orientação sobre os novos processos e comportamentos.

O treinamento rende mais depois da consciência e do desejo. Afinal, quem não vê motivo para mudar aprende pouco, por mais bem preparado que seja o curso.

4. Habilidade (Ability)

Saber como fazer não basta. A pergunta é: eu consigo fazer na prática? A habilidade é a capacidade de aplicar o conhecimento no trabalho real, no nível de desempenho que a mudança exige.

Esta etapa pede prática, acompanhamento e tempo. Por isso, mentoria, simulações e apoio de colegas mais experientes encurtam o caminho.

5. Reforço (Reinforcement)

A última pergunta é: como eu mantenho a mudança? O reforço sustenta o novo comportamento e evita o retorno ao método antigo.

Reconhecimento, indicadores visíveis e correção de desvios fazem parte do reforço. Sem ele, porém, a mudança funciona no lançamento e perde força em poucos meses.

Por que a ordem das etapas importa?

A sequência do ADKAR tem consequências práticas. Assim, uma ação certa na etapa errada gasta tempo e dinheiro sem mudar o comportamento.

O que é o ponto de barreira?

O ponto de barreira é a primeira etapa, na ordem do modelo, em que a pessoa ou o grupo trava. A avaliação do grupo nas cinco etapas, com entrevistas ou pesquisas curtas, identifica esses pontos e orienta o apoio.

A lógica é direta. Se a barreira está no desejo, treinar mais não resolve. A liderança precisa conversar sobre receios e benefícios antes de qualquer curso.

Por que pular etapas costuma falhar?

Muitas empresas começam pelo treinamento, porque ele é visível e fácil de contratar. Porém, quando a consciência ou o desejo faltam, as pessoas assistem ao curso e, em seguida, voltam ao método antigo.

Por isso, o diagnóstico vem primeiro. Ele mostra onde o esforço rende mais e evita ações que servem apenas para marcar presença.

Como aplicar o modelo ADKAR passo a passo

A aplicação segue seis passos. Eles valem tanto para mudanças pequenas, como um novo fluxo de aprovação, quanto para projetos grandes, como uma reorganização.

1. Definir a mudança e os grupos afetados

Primeiro, a equipe descreve o que muda, para quem e quando. Em seguida, separa os grupos afetados, pois cada um vive a mudança de um jeito.

2. Avaliar cada grupo nas cinco etapas

Depois, a equipe avalia cada grupo em cada etapa, com entrevistas, pesquisas curtas ou observação. Uma escala de 1 a 5 facilita a comparação.

3. Identificar o ponto de barreira

Na sequência, a equipe localiza a primeira etapa com pontuação baixa. Esse é o foco da ação, ainda que as etapas seguintes também apresentem lacunas.

4. Planejar ações para a barreira

Então, a equipe define ações específicas para o ponto de barreira, com responsável e prazo. Comunicação, patrocínio, treinamento ou prática entram aqui, conforme a etapa.

5. Executar e acompanhar

A equipe executa as ações e acompanha o avanço com indicadores simples. Assim, o acompanhamento semanal revela rápido se a barreira se moveu.

6. Medir a adoção e reforçar

Por fim, a equipe mede quantas pessoas usam o novo método e reforça o que funciona. Esse passo, portanto, fecha o ciclo e prepara a próxima mudança.

Exemplo de diagnóstico com o modelo ADKAR

Considere um exemplo hipotético: uma empresa com 40 pessoas na área comercial lança um novo processo de registro de oportunidades em um sistema. A liderança avalia a equipe de 1 a 5 em cada etapa do ADKAR.

As notas são 4,5 em consciência, 3,8 em desejo, 2,4 em conhecimento, 2,0 em habilidade e 3,0 em reforço. A consciência está alta, pois todos entendem o motivo. Já o desejo está razoável, com algumas dúvidas.

O ponto de barreira é o conhecimento, a primeira etapa com nota baixa. A equipe não sabe usar o sistema, e por isso a habilidade também sofre. Então, a liderança prioriza um treinamento prático, com casos reais da área.

Depois do treinamento, uma nova avaliação mostra o conhecimento em 4,0 e a habilidade em 3,5. Em seguida, o foco passa para a prática e para o reforço. Os valores são ilustrativos e servem só para mostrar a leitura do diagnóstico.

tabela explicativa sobre como funciona o cálculo no modelo adkar

Que indicadores mostram o avanço em cada etapa?

Cada etapa tem um sinal mensurável. Por isso, a empresa escolhe poucos indicadores, revisa com frequência e ajusta as ações quando o número não se move.

Consciência e desejo

Para a consciência, a empresa mede quantas pessoas explicam o motivo da mudança com as próprias palavras. Já para o desejo, acompanha a participação voluntária em pilotos, reuniões e sessões de dúvidas.

Conhecimento e habilidade

O conhecimento aparece na taxa de pessoas treinadas e na nota de pequenos testes. A habilidade, por sua vez, aparece na proporção de pessoas que executam o novo processo sem ajuda.

Reforço

O reforço mostra-se na taxa de uso do novo método depois de 30, 60 e 90 dias. Uma queda nesse período indica que o hábito antigo voltou, e a liderança precisa agir.

Case Scopi: como o Grupo Horizonte transformou o planejamento em rotina

Veja como o Grupo Horizonte fez juntamente com a Scopi. A empresa de logística precisava que a execução do planejamento estratégico entrasse na rotina dos colaboradores das diferentes unidades e deixasse de depender de planilhas.

O grupo passou a gerir as reuniões de rotina no software e a ligar objetivos, indicadores e processos ao desempenho. O resultado foi 45% de aumento na aderência ao planejamento estratégico, com 100% das reuniões de rotina geridas na plataforma.

Este é um case da Scopi e com eles podemos notar que uma rotina de acompanhamento mantém o novo comportamento. A mudança se sustenta quando o método novo aparece nas reuniões e nos indicadores do dia a dia.

Quando combinar o ADKAR com outros modelos?

O ADKAR não precisa trabalhar sozinho. Ele cobre a dimensão individual da mudança, e outros modelos cobrem a dimensão da organização.

ADKAR e Kotter

O modelo de Kotter, publicado na Harvard Business Review em 1995, descreve oito etapas de um processo de mudança e orienta a liderança na condução da mudança em toda a empresa. Por outro lado, o ADKAR complementa esse caminho ao mostrar como cada pessoa reage a cada etapa.

ADKAR e Lewin

O modelo de Lewin descreve a mudança em três fases: descongelar, mudar e recongelar. O ADKAR, por sua vez, detalha o que acontece com a pessoa dentro dessas fases, em especial na fase de reforço.

ADKAR e gestão de projetos

Em projetos, o ADKAR cuida do lado humano, e a gestão de projetos cuida de prazo, custo e escopo. Quando as duas frentes caminham juntas, o projeto entrega, portanto, a solução e a adoção.

Como o ADKAR muda conforme o tipo de mudança?

A lógica das cinco etapas vale para qualquer mudança. Mesmo assim, o peso de cada etapa varia com o tipo de iniciativa, e a liderança acerta mais quando antecipa esse padrão.

Mudança tecnológica

Em implantações de sistemas, a barreira costuma estar no conhecimento e na habilidade. As pessoas entendem o motivo, mas travam no uso diário. Treinamento prático e apoio na rotina resolvem boa parte do problema.

Mudança de estrutura

Em reorganizações, a barreira aparece com mais frequência no desejo. Papéis, chefias e rotinas mudam, e as pessoas temem perder espaço. Por isso, conversas individuais e clareza sobre os novos papéis pesam mais que cursos.

Mudança cultural

Em mudanças de cultura, o reforço decide o resultado. Novos comportamentos precisam de exemplo da liderança, reconhecimento e indicadores visíveis, pois a pessoa tende a voltar ao hábito antigo sob pressão.

Que erros comprometem a aplicação do ADKAR?

Para começar, muitas empresas tratam a mudança como evento de lançamento. Elas investem em comunicação e treinamento antes da data e, depois dela, abandonam o acompanhamento.

Além disso, algumas diagnosticam a empresa inteira como um bloco. Equipes diferentes têm barreiras diferentes. Portanto, uma ação única atende bem apenas uma delas.

Da mesma forma, é comum confundir comunicação com consciência. A empresa envia e-mails, mas não verifica se as pessoas entenderam o motivo. Por isso, a medição direta resolve esse ponto.

Por fim, muitas organizações esquecem o reforço. Sem acompanhamento, a rotina antiga volta. Consequentemente, o investimento da mudança se perde.

Como conectar o ADKAR ao planejamento estratégico?

Toda mudança relevante nasce de um objetivo da empresa. Por isso, o ADKAR rende mais quando o líder o liga à implementação estratégica, com metas, prazos e responsáveis definidos.

O modelo também se beneficia de indicadores bem definidos, que funcionam como base de medição. Os números de adoção mostram se a mudança avança e se o plano precisa de ajuste.

Como o Scopi ajuda a sustentar a mudança

Aplicar o ADKAR uma vez é possível. O desafio real está em acompanhar as ações de cada etapa até a adoção, sem perder o ritmo depois do lançamento.

O Scopi permite transformar as ações do diagnóstico em planos de ação com responsável, prazo e acompanhamento, com Kanban e Gantt. Os alertas automáticos avisam quando uma ação atrasa.

A plataforma também reúne indicadores e dashboards para acompanhar a adoção, e a análise de riscos ajuda a registrar a resistência esperada, com probabilidade e impacto. Assim, a empresa liga a mudança às metas.

Conclusão

O modelo ADKAR mostra que a mudança organizacional depende de uma sequência de resultados individuais. Quem identifica o ponto de barreira e age sobre ele gasta menos energia e consegue mais adoção.

O modelo rende mais quando a empresa o conecta a metas, ações e indicadores. Fale com um especialista da Scopi e veja como acompanhar mudanças, planos de ação e indicadores em um único ambiente.

Perguntas frequentes

O ADKAR serve para mudanças pequenas?

Sim. O modelo funciona para qualquer mudança que exija novos comportamentos, desde um novo fluxo de aprovação até uma reorganização. Em mudanças pequenas, o diagnóstico leva poucas conversas.

Preciso de certificação para usar o ADKAR?

Não para entender e aplicar a lógica das cinco etapas. Existem certificações para quem quer formar especialistas em gestão de mudanças, e a escolha depende do tamanho e da frequência das mudanças da empresa.

Quem deve avaliar as pessoas nas cinco etapas?

Não existe regra fixa, mas o líder direto costuma ter a melhor visão do dia a dia. Uma pesquisa curta e anônima complementa esse olhar e reduz o viés.

Quanto tempo dura cada etapa do ADKAR?

Não há prazo fixo. A duração depende da complexidade da mudança e do ponto de partida de cada grupo. Por isso, a reavaliação periódica orienta melhor que um calendário rígido.